ALCAPARRAS (CAPERS, KAPERN, CÂPRE, CÀPPERO).
O autor responde: sergio.di.petta@cmg.com.br
Envie para o autor suas dúvidas sobre plantio, colheita e cura da alcaparra e o seu uso no preparo dos pratos.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

60. Meio Ambiente (10)


Na década de 80 eu fazia loteamentos. A legislação prevê que todo o parcelamento de terra urbana deve destinar 20% da área para jardins que, sem dúvida, tem a finalidade de servir como recreio para os moradores, especialmente crianças e velhos, além de amenizar o clima e purificar o ar. Regra geral essas áreas foram deixadas sob a responsabilidade das prefeituras que, na maioria dos casos, por omissão, consentiram que fosse dada outra finalidade aos futuros jardins. Principalmente no litoral, mas também em outros lugares, essas áreas tornaram-se enormes favelas.
A idéia de o estabelecimento humano deixar pelo menos 20% da vegetação em pé para garantir a existência da fauna e flora e preservar minimamente o meio ambiente é muito antiga e de certa forma sempre valeu também para as pequenas ou grandes propriedades rurais. Acresce dizer que charcos, mananciais, pequenas ou grandes nascentes de água devem ter a vegetação preservada sob pena de ficarmos sem água até para beber.
A lei existia e ninguém obedeceu. Pior que isso, o poder público, omisso como sempre, não fiscalizou e o problema assumiu proporções gigantescas cuja solução tornou-se muito difícil. Os clarividentes ambientalistas, às vezes um pouco exagerados, exigem novas normas de âmbito Federal que ponham fim a baderna em que o país está envolvido no que tange a obediência da legislação em vigor e regularize o desmatamento descontrolado na Região Amazônica.
Incumbe essa difícil tarefa às Câmaras Baixa e Alta da República num momento em que uns poucos eleitos distinguem um jequitibá de um pé de couve e tem que contracenar com a maioria inculta também interessada no verde, mas não propriamente aquele da clorofila. Discursos foram muitos, porém sem abordar o assunto com pragmatismo. Aprovar uma lei abrangente para o país inteiro disciplinando o que se pode e o que não se pode fazer em terrenos com declividade de 45°, classificar bananeira como vegetal lenhoso para que populações inteiras que vivem dessa cultura não se tornem miseráveis dependentes do Programa Bolsa Família redundará num fracasso total. Ou não resolverá os problemas mais necessários e pertinentes ou jogará 40 milhões de trabalhadores brasileiros no cesto comum dos fora da lei. (contínua)

sábado, 17 de dezembro de 2011

59. Trator (4) - Financiamento

Trator agrícola





Nas pequenas propriedades do Sul e Sudeste do Brasil, e são muitas, a aração com trator de pneus dificilmente se faz em curvas de nível porque sempre existe o perigo do trator tombar. Em geral fazem a aração somente de cima para baixo, consumindo o dobro de horas. Nas primeiras chuvas as águas correm pelos sulcos carreando os nutrientes e desenvolvendo voçorocas. Além disso, o trator de pneus apiloa a terra.
Na foto vemos um trator agrícola do primeiro mundo. Tratores desse tipo são muito usados na Europa. Trata-se de um trator de pequeno porte, com um motor em torno de 70 Hp, construídos para trabalhar com os implementos agrícolas convencionais, inclusive a lamina frontal, cuja adaptação é mais fácil. Eles têm um centro de gravidade muito baixo tornando o tombamento quase impossível quando usado para arar em curva de nível. Outra qualidade é a baixíssima pressão que exerce sobre o solo devido a área de apoio que são as lagartas. É uma máquina desenvolvida para terrenos muito dobrados.
Na Europa existem no mercado cinco ou seis fabricas que produzem tratores como esses e como resultado da concorrência (e talvez dos impostos menores), o preço de uma jóia idêntica a da foto pode equivaler ao que custa um “dinossauro” à pneus que se vende no Brasil por até R$90.000,00! Resta ao governo apoiar a iniciativa de estabelecer fábricas dessas máquinas no país, ou possibilitar a importação.
Só podemos orar para que apareça algum ministro da agricultura que apóie firmemente a pequena propriedade. Os pequenos proprietários não são responsáveis pela enorme exportação de produtos agrícolas, mas certamente neles reside a força da democracia. 08.12.11

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

58. Trator (3) - Financiamento.


Alguns dias atrás, em decorrência deste blog, recebi um e-mail do qual separo o trecho abaixo:

“Creio que linha de crédito com juro baixo para o produtor rural iniciante inexiste; fomos em busca de crédito pelo Pronaf, mas tem que ter comprovação de 5 anos de atuação e renda. Até questionei o técnico da Emater: o governo abre linha de crédito para manter o homem no campo evitando o êxodo rural; e para aqueles que querem ir para o campo?”

Coincidentemente eu estava tentando financiar um trator. Não sou iniciante uma vez que exerço a atividade há 34 anos, entretanto meu perfil não se adaptava ao exigido para a concessão do financiamento. Os pequenos proprietários em nosso país, diferentemente do que acontece na Europa e EUA, não dispõem de máquinas agrícolas porque são caras e o financiamento bancário é um verdadeiro absurdo, além disso, os tratores pequenos, de até 85 hp, são ultrapassados, verdadeiros dinossauros. Na hora do plantio, após as primeiras chuvas da primavera, todos procuram arar com tratores alugados insuficientes para atender a demanda naquele período.
Para poder arar na hora certa o pequeno proprietário precisa ter seu próprio trator e implementos, ainda que sejam subutilizados. Entretanto, um trator e implementos custam em torno de 145.000 litros de leite! O agricultor não pode pagar os juros dos bancos comerciais que são os maiores juros praticados em todo o mundo, e o governo, através do BNDES, destinou uma linha de credito para melhorar a produção agrícola. A coisa funciona mais ou menos assim: como o BNDES não tem função ou condições de gerenciar diretamente os financiamentos, estes são feitos através dos bancos comerciais que recebem um vultoso numerário pelo qual pagam 3,5% ao ano com carência de um ano e repassam aos agricultores a 6,5%, ganhando, portanto, 3% pelo serviço. Bom não?
Os contratos assinados pelos agricultores, porém, não são muito simples e eu imagino um produtor de leite lendo a fórmula abaixo que poderá se for o caso, alterar o que de mais importante existe na tratativa do contrato, isto é, o interesse.

 
 
 
 
 
 
 

 
Os tratores produzidos no Brasil são exportados e vendidos na Argentina a preços menores que os praticados no Brasil! Isso acontece por que nós pagamos os pesados impostos que recaem em cascata sobre os tratores agrícolas os quais são os verdadeiros geradores da riqueza do país. Esses impostos, por via indireta, vão acabar no BNDES que re-encaminha aos bancos comerciais. Tudo muito racional! (continua)

sábado, 3 de dezembro de 2011

57. Alcaparras (11)

Foto 1

Em meu livro O CULTIVO DE ALCAPARREIRAS contei de maneira poética como é difícil conseguir a germinação de sementes. Mesmo após a eclosão poderá ocorrer que a muda originada venha a murchar e morrer. Inúmeras pessoas que tentaram semear se queixaram da dificuldade em obter a germinação e mesmo quando conseguiam o intento, apesar de todos os cuidados, a pequena muda começava a murchar e secar. Bem, isso pode ocorrer por vários motivos tais como o ataque de fungos, insetos ou vírus, entretanto existe uma causa, inusitada, que deve ser levada em conta.
É importante que a terra usada nos vasos ou mesmo no canteiro definitivo seja muito permeável. Aquela terrinha escura de horta, com húmus de minhoca e super adubada com elementos orgânicos pode se transformar em uma argila impermeável. Nessas condições quando molhamos a plântula de maneira parcimoniosa como é recomendado, a parte superior da terra do vaso ou do local definitivo, parece estar sempre molhado, entretanto o substrato impermeável não deixa o aporte de água chegar às raízes que se aprofundam. A umidade fica somente na superfície e depois de algum tempo o fundo do vaso (ou do canteiro) estará completamente seco. Nessa hora a planta seca e morre.
A foto acima é de uma pequena muda seca de alcaparreira. Vejam o que ocorreu. As raízes começaram a se aprofundar, mas devido à falta de umidade na terra mais profunda, a planta desenvolveu raízes mais superficiais na direção inversa que num verdadeiro hidrotropismo procuraram a umidade vital.
Entretanto o esforço da plântula não resultou e ela veio a óbito.
É preciso que o substrato seja de fato permeável e isso se consegue com um percentual apreciável de areia.


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

56. Eucaliptos


Foto 1

Foto 2
















Foto 3


As fotos 1 e 2 mostram um eucalipto doente que apresenta a casca em escamas grossas, escuras quase pretas, e que cobrem todo o tronco da árvore. Às vezes, nas ranhuras entre os finos pedaços da casca que parecem querer se soltar, as abelhas arapuás se infiltram tentando obter alguma seiva, piorando ainda mais o aspecto do vegetal.
São poucas as árvores atacadas, menos de 0,01%, mas procurei saber do que se tratava. Existe escassa literatura em português cujo acesso possa ser fácil ao pequeno agricultor isto é, explicações objetivas com palavras simples e fotos em cores. A maioria dos trabalhos academicos são essencialmente teóricos, com dezenas de citações de autores de livros extrangeiros impossiveis de serem consultados. Dificilmente priorizam o aspecto prático das coisas. Na realidade está faltando uma interface entre a universidade o o setor laborativo que permita, àqueles que de fato necessitem das informações, obtê-las ainda que seja através da mídia eletrônica. Os conhecimentos não podem e não devem permanecer herméticos nos centros do saber escondidos atrás de extensa teoria. Afinal o que interessa é a prática.
Ao que tudo indica a doença chamada de cancro do tronco é devida ao ataque de fungos (Cryphonectria cubensis) e
tem sido combatida através do desenvolvimento de variedades resistentes. No caso de pequenas propriedades onde as árvores são poucas pode-se tentar a utilização de fungicidas no inicio da doença. O hipoclorito de sódio diluido tem sido usado para a eliminação do fungo.
A foto 3 nos mostra uma curiosidade. A floração em um eucalipto urograndis com 2 anos e meio aparecendo no proprio tronco como se a planta fosse uma cauliflora

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

55. Madeira na pequena propriedade (2)

Foto 1


A madeira é essencial e insubstituível para a pequena propriedade. Quem dispõe de alguma terra deve, antes de tudo, ter algumas dezenas de eucaliptos plantados para, em primeiro lugar obter os moirões necessários para a cerca.
Uma propriedade de 30 ha, pouco mais do que 12 alqueires, necessita para seu cercamento um mínimo de 1500 moirões se considerarmos um espaçamento de 2m entre eles. Se tivermos algumas cercas internas esse número chegará a uns 2300 moirões ou 191 dúzias! Considerando que um eucalipto com 20 anos poderá originar, grosso modo, 8 dúzias de moirões, teremos que derrubar 24 árvores executar esse serviço. Se a propriedade não tiver eucaliptos o proprietário deverá comprá-los a razão de R$60,00 por dúzia totalizando R$11460,00!
Um moirão de eucalipto serrado, com pouco ebúrneo, sem casca, poderá durar, dependendo da qualidade da madeira, de 10 a 15 anos. Passar óleo usado de motor na parte que será enterrada é uma boa prática e poderá aumentar a durabilidade da madeira. É interessante notar que a parte do moirão que apodrecerá primeiro está no limite entre a parte enterrada e a parte aérea. Ali a madeira fica sujeita a água das chuvas e à oxidação pelo ar. Devido a esse fato eu tenho “tratado” o moirão com óleo queimado somente um palmo acima e um abaixo da terra.
Na foto nº 1 nós vemos, na seqüencia, eucalipto saligna, que estamos usando para fazer moirões, o citriodora (corímbia), o cipreste e o eucalipto rosa que alguns dizem ser o grandis. Sobre o assunto tenho dúvida ainda não solucionada. Trata-se de uma madeira semelhante ao cedro, porém com densidade média de 650 kg/m3. Uma vez seca se pode trabalhar e não apresenta rachaduras ou lascas. Lixada fica com um bom aspecto. Na foto, a parte de baixo da amostra de madeira está com selador para realçar sua cor.
A segunda amostra de madeira da foto nº 1 é do eucalipto (Corimbia) citriodora, derrubada com 25 anos. Ela apresenta um cerne mais escuro e depois de envernizada muito se assemelha ao jacarandá mineiro. É uma madeira muito dura e pesada, em torno de 980 kg/m3. A experiência de usá-la como moirão sem uma conveniente preservação não resultou satisfatória, mas para fazer gradeamento (vigas, caibros e ripas) de telhado mostrou-se excepcional. (continua)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

54. Madeira na pequena propriedade


Foto 2

Foto 1













Foto 3


Há mais de vinte anos plantei os chamados pinheirinhos de cerca, que na realidade são cupressus sempervirens ou lusitânica etc. e que, sem a devida poda, tornaram-se árvores enormes. Com raízes fracas e superficiais alguns foram derrubados durante uma tempestade com forte ventania e tivemos que cortá-los.
Picar toda aquela madeira e transformá-la em lenha não era a melhor solução uma vez que se trata de madeira leve e dizem, faz muita fumaça, imprópria para queimar. Decidimos então aproveitá-la retirando algumas tábuas e vigas com a moto-serra.
O tronco a um metro de altura tinha um diâmetro de 40 cm, e a casca é bastante fina o que é bom, entretanto apresenta muitos nós devido a grande quantidade de galhos. Alguns “especialistas” opinaram que não valia à pena perder tempo com aquela madeira, contudo após o corte mandei aparelhar e lixar algumas tábuas e vigas. A conclusão que cheguei contraria totalmente a idéia que se faz do aproveitamento do cipreste como madeira para movelaria e outras finalidades. Na foto 1 se vê uma viga de cipreste apoiando um pequeno telhado, mas esse não seria o uso mais apropriado para essa madeira. Na foto 2 mostra uma tábua de 10 cm. A madeira tem um aspecto bastante estético, é facilmente usinável, não lasca, responde bem a lixadeira e o importante, é muito leve. Pesa em torno de 430 kg por m³, portanto a metade da densidade da corímbia citriodora! Ela tem uma única inconveniência, os nós. Os nós pequenos não racham ou se destacam e melhoram o visual da madeira, mas os nós grandes, e são muitos, às vezes se destacam e constituem pontos de enfraquecimento inviabilizando o uso do material.
O rápido crescimento do cipreste, a excelência da madeira, seu peso, a facilidade de usinagem nos leva a refletir que a pura e simples eliminação dos nós transformaria essa árvore em uma importante fornecedora de material para a indústria moveleira. E vejam que eu estou pensando em móveis feitos de madeira maciça e não em agregados ou mdf etc.
A eliminação dos nós poderia ser facilmente realizado cortando os galhos até uma altura conveniente durante o crescimento da planta. Cortá-los quando já crescidos não resolve o problema. É claro que realizar esse trabalho em um milhão de árvores é tarefa impossível, mas nas pequenas propriedades cuidar de uma centena ou mais dessas árvores para obter uma madeira de boa qualidade não é serviço complicado.(continua)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

53. As chuvas e o lençol freático.


Foto 1

Foto 2












Nunca será demais abordar este assunto. A existência plena da vida animal, homem incluído, depende da existência dos vegetais para os quais as chuvas ou, de uma maneira ampliada, o clima, têm uma importância fundamental.
Os especialistas têm notado mudanças climáticas importantes ocorridas nos últimos cinqüenta anos. Temperaturas médias em ascensão e falta, ou descontrole, no regime normal de chuvas foram constatadas em quase toda a esfera terrestre. A pergunta que fazemos é: seriam essas alterações decorrentes de uma normal periodicidade, ainda a ser estudada com mais detalhes ou, então, proveniente das alterações patrocinadas pelos humanos, tais como emissões de gases industriais, desmatamentos e quejandos?
Vejam a foto nº 1. Em primeiro plano temos uma área de pasto. Mais adiante o que restou da mata atlântica, parcialmente recoberta com vapores de água em ascensão. Devido à chuva do dia anterior, a água que ficou retida pela densa mata evapora e sobe para formar nuvens de chuva que, levadas pelos ventos, irão cair novamente sobre a terra. Repare que toda a chuva que caiu no cocuruto careca do morro em primeiro plano, pretenso pasto, escorreu rapidamente em direção a riachos e rios, às vezes ocasionando inundações.
A foto nº 2 nos mostra uma área que, antes completamente recoberta por densa floresta, agora desmatada para servir de pasto. O comportamento das áreas em relação ao destino das águas pluviais é completamente diferente. A área à esquerda, com densa vegetação, armazenará a umidade das chuvas que penetrarão no solo alimentando o lençol de águas sub-superficiais, além de propiciar a evaporação formadora de novas nuvens de chuva. Na área à direita, com pasto de grama rala e apiloada pelo andar do gado, as águas da chuva correrão céleres para inundar algum baixio, às vezes com habitações. Pouca ou nenhuma água penetrará no solo.
O desmatamento de áreas com vegetação, como a da foto 2, e sua transformação em pastos que podem alimentar, se tanto, três cabeças de gado por alqueire, não é uma solução muito racional e com certeza trará conseqüências indesejáveis. Mais coerente e lógico sempre será a criação intensiva ou semi-intensiva que, sem sombra de dúvida, é mais econômica e agride menos a natureza.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

52. Jabuticabeira (mudança no regime de chuvas).


Foto 2
Foto 1












A jabuticabeira prefere terrenos úmidos. Na realidade para que a florada possa se transformar em jabuticabas grandes, doces e com bastante sumo, é necessário que chuvas oportunas e providenciais reforcem a umidade do terreno. Quando isso não ocorre é necessário um abundante aporte de água para suprir as necessidades da planta.
Como já temos enfatizado, em nossa região este ano choveu pouco no inverno. O inicio de uma primavera seca prejudicou sobremaneira não somente nossas jabuticabeiras mas também os cafezais da região. Ouvimos de um antigo produtor de café que a falta de chuva e o calor excessivo ocasiona a queda de muitas flores, o que prejudicará a próxima safra.
As jabuticabeiras por falta de umidade no solo produziram uma primeira florada fraca e com jabuticabas pequenas. Em seguida à primeira chuva da primavera, sobreveio uma nova florada, desta vez majestosa.
A foto 1 nos mostra a planta em dúvida cruel. Metade produzindo jabuticabas. A outra parte, que esperou a chuva, toda em flor. A foto 2 mostra a metade da planta com frutos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

51. Jabuticabeiras


Foto 1
Foto 2














A myrciária cauliflora, mais conhecida como jabuticabeira, é uma frutífera nativa do centro e sul do Brasil. Ela apresenta o fato pouco comum de ter suas flores presas ao caule (cauliflora). As interessantes flores brancas (foto 1) transformam-se em bagas redondas, pretas retintas e brilhantes que são os deliciosos frutos. Estes apresentam em média duas sementes envoltas em uma polpa bastante liquida e de cor clara.
Como se pode observar na foto nº 1, as flores se abrem todas ao mesmo tempo dando à planta um aspecto grandioso. Ela exalam um perfume muito forte que se pode sentir à distancia. Esse cheiro atrai um sem número de insetos, inclusive abelhas melíferas, que atraídos pelo néctar acabam por fertilizar as pequenas flores.
A jabuticabeira frutifica, normalmente, no mês de outubro, entretanto tivemos este ano uma frutificação temporã com jabuticabas pequenas porem muito doces, talvez abortada pela falta de chuvas. Nas fotos se pode ver muitas flores e algumas jabuticabas da florada de setembro. (continua)



sexta-feira, 14 de outubro de 2011

50. Meio ambiente (9)


Foto 2

Foto 1














Este ano tivemos um inverno seco em Brazópolis; pouca chuva e mal distribuída. Em decorrência a superfície do solo secou e rachou e as camadas mais profundas perderam a umidade. As laranjeiras das imagens 1 e 2, fotografadas no final de setembro, portanto no inicio da primavera, mostram as árvores com algumas flores, mas com as folhas enroladas decorrente da falta de umidade até nas camadas mais profundas do solo atingidas pelas raízes das cítricas. O aporte de água na projeção da copa das árvores normaliza a situação.
Nestes últimos 30 anos tenho notado uma sensível redução das chuvas invernais e como conseqüência a diminuição da umidade do solo que atinge níveis críticos no final do inverno e início da primavera. O fato é que as chuvas de verão não estão sendo suficientes para repor a água do lençol freático que diminui a cada ano. Todavia é necessário atinar para o fato de que em regiões onde predomina pastos mal cuidados e demasiadamente apiloados as terras se tornam impermeáveis. Se, além disso, forem terrenos com grande declividade, certamente as águas pluviais correrão para voçorocas, córregos ou ribeirões e uma quantidade mínima de umidade penetrará no solo para repor o lençol sub-superficial.
Terrenos de pastoreio extensivo onde um hectare mal dá para sustentar uma cabeça de gado significam a desertificação em médio prazo. Vamos plantar árvores, gente.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

49. Meio ambiente (8)

Foto 1
Foto 2












Foto 3
Foto 4
 











As flores vieram mofinas neste início de primavera sem chuvas. Não é a primeira vez que isso acontece, mas ultimamente está se tornando muito freqüente aqui no sul de Minas Gerais, região que originalmente era coberta com densa vegetação de mata atlântica.
Não é necessário pesquisar muito para chegar à conclusão de que as mudanças climáticas acontecem (também) devido ao desmatamento. Na foto nº 1 vemos um pasto esturricado pelo sol inclemente produto da ausência de chuvas. Colocamos um termômetro sobre a terra e constatamos uma temperatura que atingiria os 50 ° C.
Em uma área próxima, reflorestada com eucaliptos (foto nº 3), vemos a braquiária ainda verde. A temperatura do solo, ao sol, não chega a 35° C.
Área de pasto mal conduzida e, portanto, muito pisoteadas, não permite a penetração das águas pluviais empobrecendo o lençol freático. O terreno deverá estar coberto com árvores (quaisquer) com um percentual mínimo de 20%. O consórcio eucalipto (ou outra espécie) e pasto à 50% é uma solução inteligente que demorou a chegar. Terras nuas de árvores trazem como conseqüência a diminuição das águas subterrâneas e o aumento da temperatura. Quem tem prudência deve começar a plantar árvores bem rápido. Talvez ainda consigamos evitar a catástrofe!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

48. Meio ambiente (7)



É uma foto do Brasil. Em todas as Cidades e em todos os Estados esse é fato corriqueiro. Nesse lixo se podem encontram seringas, vidros vazios de agrotóxicos, pilhas, enfim qualquer coisa uma vez que não existe a coleta separada e ninguém fiscaliza inclusive porque seria inviável.
A coisa funciona mais ou menos assim: primeiro o poder público federal aprova leis severíssimas que devem ser cumpridas para a salvaguarda do meio ambiente. São previstas multas altas às vezes acompanhadas de detenção. Uma verdadeira loucura. Em seguida se descobre não ser exeqüível cumprir o novo preceito e nessa ocasião o próprio poder público dá início ignorando completamente o regulamento e tudo continua como d’antes...
A lei existe e ninguém cumpre, portanto todos são passives de punição, ora em que os fiscais aproveitam para multar os desafetos. Coisa de doido!
Cumpre observar que legislar por atacado fazendo regras para que funcionem no RGS e também na terra do Sarney não é racional. Leis ambientais deveriam ser atribuição dos Municípios e a Federação somente legislar sobre as regras básicas.
Dito isso pergunto: que tal botar os pés no chão e fazer pelo menos o básico no que tange ao recolhimento do lixo? O poder público não deve nem pode ficar esperando que ONGs sem dinheiro organizem a disposição final de nossos detritos. São os agentes do poder público que devem tomar as providências de organizar esses serviços. Vamos arregaçar as mangas, gente!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

47. Meio ambiente (6) "Morus Nigra", Amora Preta.

Clique na foto para ampliar
Clique na foto para ampliar










 
Clique na foto para ampliar

Na primeira foto temos um magnífico exemplar de Morus nigra carregada de frutos. Este ano esperávamos, com ansiedade, colher as amoras tingidas de negro, saborosas e doces. A geléia de amoras, dessas amoras, não é coisa para se desprezar. Na foto numero 2 vemos as amoras tentando amadurecer. Inicialmente com a cor clara tornam-se vermelhas e quando amadurecem são pretas.
Todavia as maritacas (maitacas) chegaram antes. Bandos de 50 aves ou mais, vorazes e falando vários idiomas, atacaram minha futura geléia. Devoraram as amoras da parte superior da árvore, defecando os pequeninos caroços e demais matérias fosfatadas nas folhas e amoras que ficavam mais abaixo, como mostra a foto número 3. Uma porcaria.
Há 30 anos não víamos essas aves na região. Começaram a aparecer nos últimos 12 anos, cada vez em bandos maiores, barulhentos a ponto de incomodar quem está próximo. Elas emitem variados sons estridentes e com certeza se comunicam entre si. Identicamente aos pardais, elas procuram se aproximar do homem invadindo forros e telhados onde mastigam os fios retirando toda a isolação de plástico, talvez para afiar o bico. Muitas vezes ocasionam curtos-circuitos e até incêndios.
Dizem que atacam ninhos de outros pássaros comendo os ovos ou os filhotes. Eu nunca vi. Quem produz uvas framboesas morangos etc. e não montar guarda a partir das 05:00h se arrisca de ficar sem a colheita. Quando a praga que ataca as colheitas é uma mosca, uma borboleta, bactéria ou vírus existe autorização para combater o predador de nosso alimento porque coloca em risco nossa existência. Se o agente for um elefante, uma capivara, um pássaro o raciocínio é completamente outro. Sabe-se pouco sobre o equilíbrio natural, mas não é difícil de entender que um simples vírus possa vir a ser mais importante para o tão falado e badalado equilíbrio, do que todos os pássaros juntos. É assunto que requer estudo e detalhamento mais profundo. (continua)

sábado, 17 de setembro de 2011

46. Noz Macadâmia


                                                         


Foto 2
Foto 1


Foto 3

Na foto 1 vemos uma macadamia integrifolia, planta de origem australiana que, assim como o eucalipto, se adaptou muito bem ao clima brasileiro. A da foto foi originada de semente cuja germinação ocorreu há cinco anos. Seguindo a idéia de trabalhar com um produto que não seja muito perecível e que, portanto, não precise ser vendido logo após a colheita, a macadâmia é uma ótima opção para pequenas propriedades. Trata-se de uma árvore de grande porte, pois pode atingir os quinze metros. É longeva e existem relatos de plantas seculares.
Dias quentes e noites frias onde a precipitação pluviométrica seja no mínimo 1200 mm seria um local ideal para o cultivo dessa espécie. É importante a escolha de uma muda de boa qualidade e ficar atento nos primeiros anos. Da mesma maneira que as cítricas ela necessita um solo profundo.
A colheita é feita da mesma forma que se faz com as nozes pecã, isto é, são coletadas no chão quando, já maduras, caem da árvore. Hoje se vende um quilo de nozes macadâmia a R$5,00 com casca. Sem a casca chega a custar R$25,00. A foto 2 mostra nozes produzidas em 2010/2011 pela nogueira em questão.
Até agora tive que combater duas pragas: O estabelecimento da camurça, camada aveludada que envolve os pequenos galhos e a abelha Arapuá. A foto 3 mostra o ataque das arapuás que carregam as folhas tenras, brotos e pendões florais da planta, o que atrasa seu desenvolvimento. A camurça se resolve com pulverização de enxofre pó molhável. Os insetos nós temos que procurar suas casas nas imediações e destruí-las. Até agora não conheço o predador dessas terríveis abelhas.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

45. Meio Ambiente - Tamanduá - (5)

FOTO DE LOCAL COM CUPINS


Segundo os magos da nossa ciência contemporânea nós humanos somos os únicos seres racionais habitantes da terra. Essa racionalidade, entretanto, não está sendo suficiente para nos orientar no sentido de conseguir dar um fim lógico aos subprodutos próprios das atividades humanas. Naturalmente eu falo do Brasil. No Japão e Alemanha esses problemas já estão, há muito tempo, resolvidos. Em Nápoles, na Itália, ainda não.
Pais de segundo ou terceiro mundo é aquele onde o Poder Público não funciona, ou funciona mal por falta de racionalidade ou vontade de seus agentes. É o caso de todos os países latino americanos.
Um país não pode ser considerado rico ou emergente porque exporta muito e dispõe de grandes reservas de papel verde. País de Primeiro Mundo é aquele onde não se joga toneladas de esgoto sanitário in natura nos rios e o lixo é separado no local de origem e em seguida coletado e reciclado. Cabe às prefeituras, isto é as autoridades locais, a solução desses problemas, que, infelizmente, se omitem.
Entretanto, cada cidadão tem sua parcela de responsabilidade e deve contribuir para preservar o equilíbrio da natureza. Os ambientalistas urbanos se preocupam com a extinção do mico leão dourado e com a arara azul, o que é, sem dúvida, relevante. Eu pergunto, não seria, todavia, mais relevante preocupar-se com o desaparecimento completo dos tamanduás mirim e bandeira?
Sabem por quê? Pastagens, cafezais, terras incultas estão cheias de cupinzeiros e formigueiros. Os cupins devoram as raízes das plantas jovens e as formigas as folhas de todas as plantas, jovens ou velhas. Há 60 anos se dizia: ou o Brasil acaba com a saúva ou ela acaba com o Brasil.
Vamos fazer uma campanha, para salvar também os tamanduás, sem dúvida mais importante para nossa precária existência. (final)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

43. Meio ambiente (3)

Ecologia e meio ambiente tem muita coisa a ver. Examinem o que estão pensando e teorizando eminentes figuras acadêmicas fartamente pagas pelos cofres públicos. Ouçamo-los: ecologia é uma ciência que se preocupa com os seres vivos e o ambiente. Tem a Ecologia Animal, a Vegetal e também a Geral, além, é claro, a dos Microorganismos que não são nem animais ou vegetais. Tem ainda a Autoecologia, a Ecologia Fisiológica ou Ecofisiologia e também a Sinecologia e a Ecogeografia, e por ai vai.
O que deve ser simples e prático foi devidamente confundido e teorizado com regras obtusas que somente são conhecidas por um hermético grupo de acadêmicos urbanícolas, tornando-se um mistério para a plebe de quem depende, diretamente, a saúde do meio ambiente. Hoje o uso das palavras ecológico(a) e auto sustentável virou moda. Até os papagaios as repetem, sem saber muito bem o que significam. Tornaram-se um salvo- conduto para esconder as mais grosseiras falcatruas.
Eu era garoto logo depois da segunda Grande Guerra e não sei por que já tinha ouvido falar num tal de Código de Águas. Entre outras coisas lá dizia que se deveria deixar nas margens dos rios uma área non aedificanti, naturalmente no talvegue do vale onde corre o rio. Acho que memorizei a história por causa da palavra talvegue.
Leis, boas ou más, já havia desde muito tempo. Quem deveria fiscalizar e recebeu salário para isso, não o fez, nem as leis tiveram uma divulgação necessária. Acharam que colocando na Constituição que ninguém pode dizer que desconhece as leis já resolveria o problema. As matas ciliares foram cortadas e os rios e ribeirões ficaram sem proteção. Com o beneplácito das “autoridades” construiu-se nas margens e até em palafitas sobre os rios, como se fazia há 3000 anos! Que pobreza de espírito. Não adianta depois da casa arrombada colocar apressadamente um enorme cadeado. Não é uma lei fundiária geral que irá consertar, em todo o Brasil, a esculhambação que se tornou nosso ambiente. As multas somente servirão para enriquecer os fiscais e tumultuar o Judiciário. (continua)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

42. Meio ambiente (2)

Trinta anos atrás eu tive no sítio um casal de caseiros, gente simples, da roça, com pouca ou nenhuma escolaridade. Moravam em uma casa de quarto, sala, cozinha e banheiro e cozinhavam em fogão a lenha que servia também para aquecer a água para o chuveiro. A casinha ficava praticamente no meio do pasto onde tambem ficavam as vacas de leite “pés duro”, de 5 litros por dia. Isso quando não perdiam alguma teta por mastite, aí davam somente 3 litros.
Após alguns meses resolvi dar uma espiada no pasto ao redor da casa. Na direção da janela da cozinha o local estava cheio de lixo. Sacos plásticos, latas de óleo vazias, latas de massa de tomate, enfim, uma porcaria. Quando uma embalagem qualquer esvaziava, a mulher do caseiro simplesmente jogava pela janela, sem muita força! E se uma vaca comesse um daqueles plásticos junto com o capim? (não me venha dizer que ela daria leite no saquinho!)
Num primeiro momento pensei em repreender o empregado, mas em seguida percebi que a culpa era minha. Eu não poderia copiar o poder publico que proíbe que se jogue lixo aqui e acolá e não prevê locais apropriados para esse despejo.
Estabeleci, então, locais adequados para o lançamento dos materiais inservíveis que depois eram levados para a cidade. Na cidade a prefeitura juntava com o lixo recolhido e jogava tudo no mato de novo. Nos trinta anos que se passaram quase nenhum progresso foi feito nesse sentido. Ainda continuamos a amontoar nosso lixo doméstico em grandes aterros, só que agora, dizem, com toda a tecnologia e enorme despesa para os cofres públicos.
Os detritos que produzimos inclusive nosso cocô, têm que ser sabiamente reciclado sob pena de sermos obrigados a viver de permeio à sujeira como acontece na periferia das cidades do Brasil onde pouquíssimo lixo é tratado e o cocô, quando coletado, é lançado in natura no rio mais próximo. Uma vergonha. Vai demorar para que essa gente inculta que comanda o país apreenda que a separação do lixo deve ser feita no local de origem, como no Japão. (Continua)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

41. Meio ambiente (1)

Vista parcial em "comunidade" na periferia de uma cidade com mais de 150.000
habitantes. E a mata ciliar, tão exigida ao pequeno produtor rural?                     

A pequena propriedade familiar é o que nos interessa. Neste imenso Brasil é ali que habitam milhões de famílias de cujo trabalho árduo vivem os habitantes das cidades, local no qual estão as escolas, os hospitais, os supermercados, as comunidades (favelas), as quais nada mais são do que desenvolvimento urbano feito ao arrepio da fiscalização do deficiente e inócuo poder público.
Nessas cidades, mal planejadas, sujas e mal administradas, é que nascem as leis e regulamentos que, hoje, pretendem ordenar a vida do homem do campo.
Eu não poderia deixar de iniciar estes meus comentários sem veicular uma carta bastante representativa da atual situação.


A carta a seguir - tão somente adaptada por Barbosa Melo - foi escrita por Luciano Pizzatto que é engenheiro florestal, especialista em direito sócio-ambiental e empresário, diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF-IBAMA 88-89, detentor do primeiro Prêmio Nacional de Ecologia.


Carta do Zé agricultor para o Luis, da cidade.


Prezado Luiz, há quanto tempo!



Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormir já era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só à uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né ...) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana e não param de fazer leite. Os bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encompridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, eu tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelos fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu, eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou, as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou à capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vir fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo, ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom é só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abrir a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nóis, os criminosos aqui da roça.

Até mais Luis.

Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado, pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.


(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

40. Alcaparras

Foto 1

Alguém poderia perguntar porque produzir alcaparras no Brasil? Vejamos alguns números: O Brasil hoje importa, grosso modo, 800 ton/ano ao preço de USD 2500,00 a ton, no mínimo. Grande parte dessa importação provém do Marrocos. As alcaparras de origem espanhola, italiana ou turca são mais caras. No varejo, alcaparras de boa qualidade poderão ser vendidas, acondicionadas em vidros de 60 g, a R$6,00 ou seja, a R$ 100,00 o kg!
Uma planta de alcaparras poderá produzir em média 3kg/ano (A AR1, segundo seu criador, poderá chegar a 8kg/ano) Façamos a conta considerando a produção menor. Para suprir a atual importação brasileira de alcaparras o pais deverá plantar 266 666 plantas. Considerando um espaçamento de 2,50x 2,50m vem 1600 plantas por ha. Logo teremos que ter 166, 666 ha plantados com alcaparreiras o que é pouca coisa.
Entretanto deveremos estar cientes de que a colheita é manual e se estente por meses. Essa é, sem dúvida, uma cultura própria para o pequeno proprietario que desenvolve a agricultura familiar. Cultivar alcaparreiras servirá para a complementação da sua renda anual.
Um agricultor que cultive 1 ha com alcaparreiras, isto é, 1600 plantas, poderá obter 4800kg de alcaparras/ano, que devidamente curadas serão vendidas no semi atacado por R$12,00 o kg, perfazendo um total anual de R$57600,00. Nada mal.

sábado, 30 de julho de 2011

39. Palestra sobre alcaparreiras (feita de maneira parcial em São Bento do Sapucaí)






A publicação dos dois livros acima e seu lançamento na 21ª Bienal do livro de São Paulo, em 2010, ensejou a reportagem feita pelo Suplemento Agricola do Estado de São Paulo em 11 de Agosto desse ano.



11 de agosto de 2010

A reportagem teve o condão de despertar o interesse por esse desconhecido condimento. Esta palestra pretendeu demostrar que o cultivo das alcaparreiras poderá ser de relevante interesse para o pequeno proprietário rural.
(Final)


sexta-feira, 15 de julho de 2011

38. Palestra sobre alcaparreiras (feita de maneira parcial em São Bento do Sapucaí)


Foto 17 (Estaquia)

A germinação de minhas sementes produziu plantas com diferentes graus de vigor e produção, inclusive uma alcaparreira infértil.
Sou favorável à estaquia ou a multiplicação celular em laboratório. Não é sem motivo que estão fazendo isso na Argentina.
As alporquias que experimentei não resultaram. Estou preparando um canteiro de perlita, aquecido e com pulverização de água para tentar o enraizamento de ramos semi-lenhosos, ou mesmo herbácea.



Grafico 6 (controle da produção de 2004 a 2008)


Grafico 7 ( Produção continua em 2006/2007

Na Europa as plantas estão em produção durante a época quente, isto é, três meses e meio. Em 2006/2007, em Brazópolis, tivemos produção exepcional durante 10 meses!



Foto 18 (alcaparras recém colhidas na salmoura)


Foto 19 (alcaparras prontas para o consumo)



Foto 20 (alguns tipos de embalagensem 2004)
(continua)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

37. Palestra sobre alcaparreiras (feita de maneira parcial em São Bento do Sapucaí) (4)


Foto 12 (mostra a porção basal lenhosa (cepa) de uma planta
com 3 anos)


Foto 13 (Uma pequena borboleta colocando ovos no anverso
das folhas)

Se deixarmos os ovos eclodirem, as vorazes lagartas comerão folhas flores e os ponteiros. Foram duas horas de sol quente na cabeça até que a esvoaçante borboleta se decidisse qual folha escolheria.




Foto 14 ( Os ovos das borboletas, ou suas lagartas, deverão
ser removidos por ocasião da colheita).

Não se deve pulverizar o alcaparral com defensivos durante o período da colheita. De preferência, nem depois.




Foto 15 (formigas)

Algumas raças de formigas vieram provar o novo alimento, entretanto somente uma permaneceu até hoje. Fica durante horas sobre o botão floral sem, aparentemente, fazer qualquer estrago.



Foto 16 (sementes)

A multiplicação é o gargalo que pode dificultar a propagação de qualquer vegetal. No caso das alcaparreiras esse tem sido o problema.
Algumas sementes importadas e certificadas 60% não germinam 10%, e às vezes menos do que isso.
No meu entender o enraizamento de estacas de plantas produtivas é o caminho. Melhor do isso é, entretanto, fazer a multiplicação por divisão celular.
(Continua)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

36. Palestra sobre alcaparreiras (feita de maneira parcial em São Bento do Sapucaí (3)

O CULTIVO NA ITÁLIA


Da mesma forma que no Brasil começamos a coletar os frutos do guaraná e extraímos o palmito antes de começar a plantá-los sistematicamente, também as alcaparras foram coletadas, durante milênios, das plantas nativas com espinhos. Esse serviço era feito pelas pessoas mais pobres que suplementavam a renda familiar. Com o crescimento da demanda se começou a plantar de maneira sistemática.


Foto 7 ( Plantação sitemática em Pantelleria, Itália)

Uma foto em cores fala mais do que mil palavras. Na tela podemos ver uma plantação de alcaparreiras, cultivar Nocelara.
Alinhadas e distanciadas de 2 a 3 metros, ocupam um terraceamento onde outrora havia videiras.


Tabela 2 (Ciclo de cultivo na Itália)
 
A multiplicação da planta na Itália é realizado por sementes. A semeadura é feita no frio mês de janeiro, sempre em um canteiro abrigado, onde as mudinhas ficam até o inverno seguinte. A colheita dura os três meses e meio mais quentes do verão.

A poda e o aporte de nutrientes são feitos no inverno.



Foto 8 ( Vemos uma planta jovem em final de floração, quando
os botões, maisduros, se abrem antes de atingir o crescimento)

Acresce ainda dizer que os botões florais só nascem em galhos do ano, por isso convém fazer uma poda anual para eliminar uma massa vegetal inerte, como se faz com as videiras.


Pragas
Giovanni Baccaro (Il Cappereto) diz que a formiga é a única praga importante da alcaparreira na Itália. Santi Longo, do “Istituto de Entomologia Agraria da Catania”, descreve outros insetos que prejudicam a planta. No Brasil (Brazópolis) só notei dois problemas controláveis. As formigas e as borboletas. Certamente outros aparecerão.



ALCAPARRAS NO BRASIL


Foto 9 (Primeira germinação)

Cansado de perder sementes em substratos cheios de vírus, fungos e insetos eu decidi semear em areia de rio, asséptica, com umidade bem controlada.

 
Foto 10 ( Alcaparreiras em vasos)

Inicialmente mantive as alcaparreiras em vasos e levei alguns para Campos do Jordão e também para o litoral para estudar o comportamento. As que foram para o litoral chegaram a florescer.


Foto 11 (Local definitivo)

Transplantadas para o local definitivo em julho, em agosto rebrotaram vigorosas e com grande produção (2004). Nesse ano fui a Panteleria para estudar o assunto e trouxe de lá alcaparras conservadas no sal.
Utilizando o método de Panteleria, tratei as alcaparras colhidas nesse ano e, no natal de 2004, pude comparar as nossas alcaparras com aquelas que eu trouxe da Itália.
O livro conta a história. As nossas alcaparras são melhores.

(continua na próxima quinta feira)