A FOTO 627 MOSTRA A CEPA COM
DOIS GALHOS. O DA DIREITA ESTÁ SAUDAVEL, O OUTRO APRESENTA RACHADURAS E ESCURECIMENTO
DA CASCA QUE LOGO APODRECE. INICIALMENTE PENSOU-SE EM ATAQUE POR FUNGOS E FOI
UTILIZADA A CALDA BORDALEZA. NÃO RESULTOU. AS FOTOS 532 E 535 MOSTRAM OS GALHOS
PROXIMOS À CEPA ATACADOS. AS FOTOS 533 E 534 NOS MOSTRAM O ATAQUE DE OUTRO
PREDADOR, PROVAVELMENTE INSETO, E QUE ATÉ AGORA NÃO SE CONSEGUIU VER
PROVAVELMENTE PORQUE ATACA À NOITE.
PEQUENAS PROPRIEDADES. ALCAPARREIRAS. ALCAPARRAS E SUA UTILIZAÇÃO.AGRICULTURA FAMILIAR. EUCALIPTOS E SUA UTILIZAÇÃO. CONTATO:sergio.di.petta@cmg.com.br
ALCAPARRAS (CAPERS, KAPERN, CÂPRE, CÀPPERO).
O autor responde: sergio.di.petta@cmg.com.br
Envie para o autor suas dúvidas sobre plantio, colheita e cura da alcaparra e o seu uso no preparo dos pratos.
O autor responde: sergio.di.petta@cmg.com.br
Envie para o autor suas dúvidas sobre plantio, colheita e cura da alcaparra e o seu uso no preparo dos pratos.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
108. ALCAPARREIRAS E VIDEIRAS
Na Europa temos seis tipos de
climas, quase todos se caracterizam por temperaturas baixas no inverno e,
dependendo da latitude, a temperatura média de inverno fica entre 0°C a 10°C.
Por esse motivo muitos vegetais assumem um estado de dormência no período frio e
esse é o caso das videiras e das alcaparreiras que perdem suas folhas durante o
inverno. Todavia quando essas espécies são transferidas para climas mais
quentes, intertropicais, como exemplo a região de Brazópolis, MG, onde as
temperaturas médias invernais podem variar bastante, às vezes ocorrem brotações
e frutificação no outono e mesmo durante o inverno.
As fotos 516, 517, 519, 520
mostram brotações e frutificação no cultivo de três videiras ao final do outono,
o que não é comum, a menos que se tomem providencias para obter duas colheitas
por ano.
Nas proximidades, em uma roça
de 150 alcaparreiras que estão sendo cultivadas para a obtenção de variações
genéticas, 50% delas estão em pré estagio de dormência conforme se vê na foto
525 e também na foto 526 (planta em segundo plano). As outras fotos mostram as
plantas em brotação e florescimento. Em climas mais frios muito dificilmente
ocorre essa brotação e frutificação temporã e acredito que a planta precisa desse
descanso e talvez por isso seja uma planta longeva. O que temos constatado nessa experimentação
em nosso clima é que algumas plantas frutificam durante quase 10 meses ao ano,
enquanto que em seu local de origem isso acontece somente nos meses quentes do
verão.
O estresse, advindo da
alteração das temperaturas a que a espécie estava ajustada certamente irá
forçar o aparecimento de variações tendentes a adaptar a planta para um novo
comportamento de mínimo consumo de energia. Todavia isso ocorrerá em prazo
muito longo e somente nas plantas com multiplicação sexuada.
segunda-feira, 1 de janeiro de 2018
107. ALCAPARREIRAS COMO PLANTA INVASORA EM MINAS GERAIS
ALCAPARREIRAS COMO PLANTA INVASORA EM MINAS GERAIS.
APÓS QUASE VINTE ANOS CULTIVANDO ALCAPARREIRAS EU NÃO CONSEGUI, AINDA, DESCOBRIR UM METODO INFALIVEL PARA MELHORAR O PERCENTUAL DE GERMINAÇÃO DAS SEMENTES. O PERCENTUAL DE GERMINAÇÃO ADMITIDO PELOS ENTENDIDOS É MUITO BAIXO, EM TORNO DE 7%, MAS PIOR DO QUE ISSO É SUA ALEATORIEDADE. PODE SER ZERO OU 50% SEM UMA CAUSA QUE PUDESSE SER ESTABELECIDA COMO NORMA.
ENTRETANTO AS FORMIGAS PARECEM CONHECER ALGUM SEGREDO PARA ELIMINAR A DORMÊNCIA DESSAS SEMENTES. ABAIXO ALGUMAS FOTOS DE ALCAPARREIRAS GERMINADAS EM LUGARES INUSITADOS E, CERTAMENTE, SEMEADOS PELAS FORMIGAS QUE FREQUENTAM AS CÁPSULAS ABERTAS DAS SEMENTES. EM UMA NOITE AS FORMIGAS CHEGAM A TRANSPORTAR 200 OU 300 SEMENTES!
SOBRE
A GERMINAÇÃO DAS SEMENTES DAS ALCAPARREIRAS, GARIMPANDO NA INTERNET, ENCONTREI
UM ARTIGO “BY DEMETRIOS C. KONTAXIS, PH.D” PUBLICADO PELA UNIVERSIDADE DA
CALIFORNIA, EUA, QUE PONTIFICA A DIFICULDADE EM FAZER GERMINAR AS SEMENTES, DÁ
UMA RECEITA, UM TANTO COMPLEXA, PARA ACORDÁ-LAS E AUMENTAR O PERCENTUAL GERMINATIVO
PARA, DE 40 A 75%. NA ÉPOCA, 1989, DISSE
TAMBÉM QUE SERIA UMA BOA NOVIDADE A COLHEITA DE ALCAPARRAS PARA A CALIFORNIA.
ABAIXO O ARTIGO.
Capers: A New Crop For
California?
Small Farm
Center, University of California, Davis, CA 95616
Revised July
1989
By Demetrios C. Kontaxis, Ph.D.
University of
California
Pest
Management I Public Information Programs Advisor
Contra Costa County
Caper, Capparis spinosa, is a member of the order
Capperales, family Caperaceae which contains about 200 species. It is a native
of the Mediterranean area, as well as of the tropics. The name caper derives
from the Arabic word Kabar. The plant is a deciduous dicot (with two seed
leaves and shedding all its leaves each year), and grows about two feet tall
and spreading. The vines can be 2-3 meters (or 7 to 10 feet long), and have a
very deep root system. The plant is very drought resistant, needs little
cultural care, requires good drainage, and is practically free of diseases and
insect pests.
The flowers are bisexual with numerous stamens.
They are attractive and resemble a rose flower, with white petals and purple
shades about 4-6 cm (2 to 2.5 inches) in diameter. The lifespan of the flower
is short, about 24-36 hours-but each plant produces hundreds each season. The
fruit is green, elongated, 3-5 cm (2-3 inches long), 1-1.5 cm (1/2 - 3/4 inch)
in diameter, and contains 200-300 seeds. The leaves are oval in shape, leathery
and shiny green. The plant is propagated sexually (by seed) or asexually (by
cuttings or roots). The preferred method is the latter simply because of the
variability found in seed propagated plants.
The cuttings are rooted in the greenhouse for at
least one year and then planted in the field, spaced 5 X 5 meters (about 16 by
16 feet) apart. Field planting takes place during February-March. During the
first two summers after planting 2-3 irrigations are required but plants older
than 2 years do not need irrigation. Spring fertilization with Ammonium sulfate
(21-0-0) or 16-16-l6 at a rate of 1/2 pound per plant per year is advisable.
Watering is required after each application.
There is no detailed information on varieties. One
group of caper is spineless, C. spinosa, whereas, another bears spines. Both
appear to produce equally well.
Mature caper plants are pruned to ground level
during November-December. In the spring, tender new shoots develop, which are
used as a vegetable and, according to some people, are better than asparagus
spears. Buds are picked from mid-May to mid-August. A 2-year old plant will
produce some, a 3-year old plant produces just over 2 lbs/year, and a plant
older than 4 years may produce over 20 lbs. of buds per year. The unopened buds
are picked by hand, sorted into five different qualities and brined in a
similar way as cucumbers (Figure 4). The smaller the bud the higher the quality
and price. A glass vial of about 200 grams of good quality caper sells for
almost $5.00. The fruit is also brined but is considered inferior quality, and
is not as important commercially.
Capers are grown commercially in Morocco, Spain and
Italy. In Greece, Cyprus, and Turkey the plant is well adapted but it is not
cultivated commercially. The United States imports more than $5 million worth
of processed capers annually from these countries.
The principal use of capers is as a condiment - in
salads or sauces, or with steaks, fish, poultry, or lamb. It is also used to
make cosmetics that improve dry skin, and in making certain medicines. Some
Capparis species are poisonous. Depending on their use, capers can be
considered a vegetable (shoots) or an herb (processed buds).
Besides these food uses, capers can be used as an
ornamental - the flowers are numerous and very attractive and the foliage is
shiny, deep green. Finally, the plant may be used to control soil erosion,
especially on slopes where irrigation is difficult and soil erosion is more
pronounced.
Germinating
and Transplanting Seedlings
1. Fill a jar (quart size) with warm water (110-115
F.).
2. Drop seed into water to soak for at least 12 hours.
Let water cool to room temperature. No need to keep water temperature at
110-115 F. for the duration of this treatment.
3. Discard water, wrap seed in a moist towel, place in
a plastic bag and keep in the refrigerator for 65 to 70 days.
4.
Then
take seed out of the refrigerator and treat it again as in step #2. No
refrigeration necessary this time.
5.
Plant
about 1/4 to 1/2 inch deep in a soil mix of 50-25-25 parts planting mix (or
U.C. soil), perlite and sand, respectively. Use 6 inch clay pots or deep
flats.
6. Water well and keep in a warm area (70-85 F.), in
part to full sun.
7.
Do not
let top of soil crust over. Keep soil moist.
8.
Germination
should start within 3-4 weeks and may continue for 2-3 months. Not all
seeds germinate at the same time.
9. Let seedlings grow to 3-5 inches tall before
transplanting. If seedlings are too crowded in the clay pot or flat do not pull
them. Instead, use a scissor and cut off the small, less vigorous, undesirable
ones. This way the root system of the remaining seedlings is not disturbed.
10.
Transplant
the seedlings to individual one gallon containers, in the same planting mix as
above. When transplanting, disturb the root system as little as possible - try
to keep some original soil around each transplanted seedling. Good
drainage soil is essential to prevent root rot.
11. Pack the soil tight around the transplanted
seedling and water well immediately.
12.
Cover
each container with a plastic bag and keep in a shaded spot (if it is spring,
summer) or a warm area (70-85 F.) if it is winter. Keep the
plastic bag in place for one week.
13.
Then
(after 1 week) cut off the top of the bag so that the seedling will be
gradually exposed to the natural environment. In another 10 days enlarge the
plastic bag opening.
14. One week later remove the plastic bags and keep in
a shaded area.
15. Keep in the one gallon containers and plant in
early spring, after the last frost, when soil is workable.
16. Plant in elevated rows. The rows should be 8 to 10
feet apart and the plants in each row should be 8 to 10 feet apart.
17. Water well. Make certain drainage is adequate
flooding should be avoided.
18.
Water
frequently and fertilize with either 21-0-0 or 16-16-16; two-to-three times
during the spring-summer months. Irrigation is essential for
the first 2 years of development.
19. Do not prune the young plant for the first two
years.
20. Prune to the ground (soil surface) 3 year or older
plants during November-December.
Note: Caper seed is difficult to germinate. The
above methods have resulted in 40-75% germination. Seedlings are very
temperamental when transplanted. Some may wilt and die. To reduce this loss,
transplant with soil attached to the root system, water and cover with a
plastic bag immediately after transplanting. Use mature (dark brown-black)
seed, one to two years old. Seeds can be obtained through Park Seed Company,
Cokesbury Road, Greenwood, South Carolina, 29647-0001. (803)223-7333. For more
information on seeds and seedling sources, contact the author at Contra Costa
County Cooperative Extension: (415) 646-6540.
domingo, 13 de novembro de 2016
106. ALCAPARRAS, A VIABILIDADE COMERCIAL DE SUA PLANTAÇÃO
ALCAPARRAS
Importância da alcaparreira (capparis
spinosa, variedade inermes).
SÉRGIO
DI PETTA
A
estatística acima, da “UNcomtrade ” (ONU), mostra exportação de alcaparras do Marrocos para diversos países. O Marrocos é o maior
produtor mundial.
Em
2013 o Brasil importou, somente do Marrocos, 943,918 ton. A Venezuela importou, também do
Marrocos, 2.151,505 ton. O Marrocos exportou nesse ano mais do que dezessete
mil toneladas!
No
mercado varejista brasileiro, alcaparra de média qualidade vendida em
embalagens de 60 gramas custa em torno de R$6,00, ou R$100,00 o kg. Portanto,
somente as alcaparras importadas do Marrocos movimentam no Brasil, na ponta
varejista, R$ 94.391.800,00 ou USD $28.365.599,00. Considerando as importações
de outros países como Espanha e Itália a cifra pode chegar a mais do que trinta
milhões de dólares! Não se pode desprezar esse mercado.
De
maneira sintética vejamos alguns fatos pertinentes à produção e mercado das
alcaparras.
1. O Marrocos é o
maior produtor mundial. Em 2014 exportou
US$43.663.831,00 correspondente a dezoito milhões de quilos.
2. A Venezuela importou no mesmo ano US$8.007.652,00.
3. Nas ilhas italianas de Pantelleria e Eólias, muitas
famílias vivem da produção de alcaparras. Na região de Fez, no Marrocos, o
cultivo de alcaparras também mantém muitas famílias no campo.
4. A produção de alcaparras requer mão de obra diária durante
a colheita (3 a 4 meses na bacia mediterrânea; em torno de 6 meses na cultura
experimentada em Brazópolis). Devido a isso é uma cultura interessante para pequenas
propriedades familiares que se reúnem em cooperativas.
5. Grandes produções de alcaparras de maneira mecanizada
não são viáveis.
6. É sempre uma produção orgânica uma vez que não se pode e nem deve utilizar
agrotóxicos.
O CULTIVO E A ACLIMATAÇÃO DA ALC APARREIRA NO
BRASIL
Brazópolis, MG.
1. O cultivo experimental pioneiro de alcaparreiras no
sítio São Camilo, em Brazópolis, Sul de MG, tem a principal finalidade de
aclimatar a espécie exótica em nosso clima e solo através de reprodução sexuada
a fim de obter variações que se mostrem resistentes às pragas e que sejam
bastante produtivas. Essas variações é que serão clonadas para a expansão da
lavoura comercial. As variações, em geral, não são hereditárias por isso se usa
clonar e não multiplicá-las por sementes.
2. Plantas exóticas precisam de tempo de adaptação. A
oliveira tem sido plantada em nossa região há mais de 70 anos. Somente agora
estamos colhendo frutos e fazendo óleos razoáveis. Estou trabalhando com
alcaparreiras há 16 anos e já tenho pelo menos duas variações interessantes jkkjlçque
estão sendo reproduzidas via estaquia de ramos herbáceos ou lenhosos. Essa
genética será registrada para os efeitos legais. O ideal seria clonar as
variações interessantes através de divisão celular.
3. O regime de chuvas determinou a cobertura das plantas
para que não tivéssemos problemas com fungos, como aconteceu em uma plantação
no Uruguai, região com bastante precipitação pluvial. Ali, o aparecimento do fusárium comprometeu a produção uma vez
que o combate ao fungo será sempre problemático porque não se deve utilizar
fungicidas durante a floração e colheita dos botões florais. O clima onde a
planta pode até ser considerada invasora é semi árido, com escassas
precipitações no verão, época da colheita.
4. Entretanto, a mudança climática detectada no sul de
Minas Gerais nos últimos 15 anos resultou em diminuição de, talvez, 50% das
chuvas em 2014/2015 e aumento de 2 graus centigrados na temperatura! Bom para
as alcaparras, ruim para todo o resto.
5. Tenho mandado sementes para o Ceará, Pernambuco e
Goiás para que façam experiências. A finalidade é verificar se a planta poderia
se desenvolver no nordeste brasileiro e patrocinar um alento às pequenas
propriedades familiares do sertão árido.
6. A produção de alcaparras poderia complementar a renda
familiar em pequenas propriedades rurais. Seria o caso de órgãos governamentais
se interessarem pelo assunto.
7. Uma família cuida, sem muito problema, de 300 plantas.
Com o melhoramento genético cada planta poderá produzir 2kg/ano (4 a 5 meses),
portanto teriam uma produção anual de 600 kg. Essa produção poderia originar no
mínimo R$20.000,00 (USD$6116,00) ou em torno de R$1.600,00/mês. Muitos
produtores rurais não ganham isso retirando leite e trabalham 365 dias por ano.
8. Uma das características mais interessantes na produção
de alcaparras é que, diferentemente da produção de leite ou frutas, não é
necessário vender a produção a baixo preço logo após a colheita. A alcaparra
conserva-se em sal por 5 anos ou mais.
9. Pelo tamanho de nosso mercado que está em expansão, existe
um espaço muito grande para a produção de alcaparras e, certamente, não seria
preenchido muito rápido. Ainda que a produção brasileira viesse abastecer o
mercado, poderíamos exportar para a America do sul, etc.
O QUE É A
ALCAPARREIRA
Alcaparreira é um arbusto
rastejante do gênero capparis,
espécie spinosa, sendo hoje muito
cultivada a variedade inermes. É conhecida e aproveitada há mais de 3000 anos
inclusive citada na Bíblia. Além de usos medicinais, hoje é utilizada
principalmente como condimento. As fotos abaixo darão uma melhor idéia do que é
a planta.
1. Plantação de
alcaparreiras em Pantelleria, Itália.
2. Vista dos
botões florais.
3. Flor.
4. Frutos com
sementes.
5. Sementes.
6. Plântulas
germinadas de sementes na perlita.
7. Botões florais
sendo curados no sal.
8. Alcaparras
curadas prontas para consumo.
9. Vista do
alcaparral.
10. Sala
higiênica e telada para a cura das alcaparras.
11. Vista dos
contentores com alcaparras na salmoura.
12. Vista do
local da lavagem e preparação.
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
105. PASTO SOMBREADO POR EUCALIPTOS ( APÓS GEADA)
O
criador de gado demorou um pouco para entender que o gado precisa de sombra
para descansar. Ficando ao sol o dia inteiro, sem dúvida, perde parte do leite
e do ganho de peso. Muitos criadores de SP já utilizam o eucalipto para
sombrear seus pastos com ótimos resultados propiciando a sombra necessária para
o gado – quer seja de corte ou leite – mas a prática desse procedimento mostrou
que ele traz, também, outros benefícios.
Principalmente
em locais onde o terreno tem forte declividade, o apiloamento do solo causado
pelo pastoreio faz com que as águas da chuva escorram rapidamente diminuindo
sobremaneira a umidade que penetra no solo e, como conseqüência, diminuirá a realimentação
de água do lençol sub-superficial, trazendo resultados funestos para as
nascentes de água eventuais. Entretanto, essa não é a pior conseqüência. A
falta de sombreamento do pasto resseca a terra superficial de onde, por
exemplo, a braquiária decumbens, ou outra gramínea, retira a umidade necessária
para vegetar. Pastos sem sombreamento
são ineficazes, necessitam de muito controle e aporte de adubo, o que nos leva
a conclusão que um pasto sombreado tem um melhor custo/beneficio.
Por
outro lado, o plantio do eucalipto em renques, deixando um espaço entre eles onde
fica somente o pasto, pode não ser uma solução para terrenos inclinados, quiçá
nem para terrenos planos. Se, após a plantação houver uma rareamento, o que
normalmente é sempre feito quando a finalidade da plantação de eucaliptos é
de obter madeira e não papel, pela
altura das massa foliar dos eucaliptos passará sempre nesgas de sol, ou seja, o
pasto entre os eucaliptos sofrerá sempre a insolação necessária para seu
desenvolvimento, especialmente se houver controle, ao longo do tempo, do
espaçamento entre as árvores.
Outra
grande vantagem de plantar eucaliptos em pastagens é que esse consórcio permite
ajudar o meio ambiente porque a massa foliar do eucalipto transpira pouco (tem
pouca massa foliar se comparado a outras grande árvores), isto é, não elimina
muita água durante sua respiração, contribui com a fotossíntese no fornecimento
do oxigênio, e sua copa alta e com
poucas folhas, permite a passagem do sol, especialmente se o espaçamento entre
árvores for conveniente. A raiz
pivotante do eucalipto se aprofunda no solo e, além de facilitar a penetração
das águas pluviais solo adentro, ainda se torna uma forte sustentação do vegetal.
É muitíssimo difícil ver eucaliptos que tenham caído decorrente de ventania. No
máximo, às vezes, pode ser quebrado algum galho.
Um
capão de eucalipto contribui para que muita água da chuva penetre no solo. Além
disso, sua massa foliar também adsorve umidade da chuva em grandes
quantidades devolvida, às vezes no dia seguinte, quando aparecem os primeiros
raios solares. Essa umidade é a formadora de novas nuvens, necessárias para as
tais chuvas locais.
Soma-se
a todas essas qualidades o fato de o eucalipto, ou a Corímbia (eucalipto)
citriodora, ser a única árvore que está servindo, na prática, para substituir
as madeiras de nossa mata natural retiradas dos estados de Mato Grosso e
Amazonas e Pará.
Telhados,
postes, estacas, moirões e muito mais podem ser feitos com essa árvore exótica
que está a suprir as necessidades do homem do campo e da cidade. Também noventa
por cento da celulose para papel, inclusive papel higiênico, devemos aos
eucaliptos, que precisam ser plantados. Amém.
segunda-feira, 2 de maio de 2016
104. EUCALIPTO SECA A TERRA?
Eucalipto:
mitos e verdades sobre a absorção de água do lençol freático
O mito em torno do eucalipto vem de longa data e,
sem que ninguém saiba como e onde começou, permanece ao longo das gerações
Ao
eucalipto se atribui estranhas propriedades e capacidades, tais como diminuir a
formação de chuvas devido ao poder esterilizante das substâncias que suas
folhas exalam, ou causar a morte das abelhas ou, ainda, criar um “deserto
verde” pelo fato de ser naturalmente antagônico à flora e à fauna. O aspecto mais
forte deste mito, todavia, é com relação à água, onde o eucalipto teria a
inusitada capacidade de consumir enormes quantidades, secando o solo, as
nascentes e o lençol freático.
Com
o intuito de contribuir para o entendimento desta controvérsia, é interessante
separar os aspectos folclóricos, daqueles que realmente têm algum fundo de
verdade. Neste sentido, começaríamos com a própria palavra “eucalipto”. Não
existe nada inerentemente errado com a árvore eucalipto, ou com a espécie
eucalipto, ou com o gênero Eucalyptus. É uma árvore como qualquer outra. Ou seja, é uma espécie florestal que
funciona exatamente como outras espécies em termos de fisiologia, hidrologia,
limitações, potencialidades e interações
ecológicas.
Esta
constatação decorre de pesquisas que foram desde cedo direcionados para o
estudo do seu consumo de água, e que mostraram que a espécie possui os mesmos
mecanismos fisiológicos que regulam a transpiração e apresenta um consumo de
água dentro dos padrões normais, sendo que este consumo também é regulado pela
disponibilidade de água no solo e pelas condições climáticas que governam o
processo de evaporação, exatamente como ocorre com a maioria das espécies
vegetais. Ou seja, as evidências científicas mostram que a alegada capacidade
de transpirar enormes quantidades de água que a imaginação popular atribui ao
eucalipto não se sustenta.
É
comum, também, ouvir que as raízes do eucalipto absorvem água diretamente do
lençol freático, razão pela qual estão
com as folhas sempre verdes mesmo na estação seca do ano. Isto pode ocorrer
quando o eucalipto é plantado em áreas onde o lençol freático é superficial,
como nas margens de cursos d´água ou onde ocorre lençol freático do tipo
suspenso, quando é localizado, pequeno e superficial.
Em
condições normais, o lençol freático é mais profundo do que o alcance do
sistema radicular e as árvores crescem pela absorção da umidade do solo.
Estudos de campo têm mostrado que a transpiração do eucalipto diminui com a
diminuição do teor de umidade no solo, assim como também diminui na estação
seca do ano. Outros estudos mostram que a produtividade, assim como a
transpiração, aumenta quando a plantação de eucalipto recebe água por
irrigação. É preciso, todavia, não confundir estas verdades, com outra verdade,
também verificada experimentalmente, que as plantações florestais de eucalipto
em larga escala consomem bastante água. Nesse sentido, plantações de Pinus ou
de outras espécies florestais de rápido crescimento também consomem bastante
água se comparada com vegetação de menor porte.
Neste
caso estamos falando de extensas áreas ocupadas por plantações de uma mesma
espécie, de rápido crescimento e alta produtividade. É evidente que esse
processo demanda água. A produção florestal se dá ao custo do consumo
equivalente de água. Não há como se obter um sem afetar o outro. Os resultados
mostrados na figura 1 representam valores médios de dois anos consecutivos de medições da
chuva e da água no solo, em um perfil de 2 metros de profundidade, onde se
concentra a maior parte do sistema radicular das árvores, em parcelas vizinhas
de plantação de eucalipto, Pinus e de vegetação natural da região do experimento, o cerradinho, ilustram
bem o consumo de água pelo eucalipto e seu impacto sobre o lençol freático.
O
consumo total de água por uma plantação florestal é a soma da transpiração,
água absorvida do solo, e da interceptação, isto é, de parte da água da chuva
que fica retida no dossel florestal e se perde por evaporação. O valor marcado
nos quadrados brancos da figura, no meio do perfil de 2 metros do solo,
representa a média anual do total de água absorvida do solo pelas raízes, ou
seja, utilizada na transpiração. Portanto, a
figura mostra que a transpiração do
eucalipto, com base na média de dois anos de medição, foi maior do que a
do cerradinho. Mas este maior consumo de água correspondeu à produção de 366 m3/ha
de madeira, cerca de 10 vezes maior do que a estimativa de produção de biomassa
do cerradinho. Isso mostra uma característica importante do eucalipto: sua alta
eficiência do uso da água.
Os
resultados da figura 1 ilustram também a questão do possível impacto das plantações sobre o
lençol freático. Este possível impacto, se ocorrer, vai se dar não pela
absorção direta de água do lençol pelas raízes, mas sim pelo aumento do déficit anual
de água no solo criado pelo crescimento das plantações florestais, diminuindo
assim a percolação de água que recarrega os aquíferos.
Neste
sentido, é fundamental que o planejamento destas plantações florestais em larga
escala seja feito com base no conhecimento das disponibilidades naturais de
água da região, considerando-se o balanço entre a precipitação média anual e a
taxa de evapotranspiração potencial a fim de não gerar conflitos. Pela mesma
razão, é necessário que o planejamento da ocupação dos espaços produtivos
da paisagem pelas plantações seja feito com base na microbacia hidrográfica,
escala ideal para o manejo adequado dos recursos hídricos. Tendo a microbacia
hidrográfica como base do planejamento do manejo florestal, fica mais fácil
identificar áreas hidrologicamente sensíveis ou ripárias, que devem permanecer
sem uso e devidamente protegidas. E a integração dos plantios florestais com a
vegetação natural contribui para a manutenção da biodiversidade ao longo das
plantações.
Enfim,
permite entender a função destas áreas hidrologicamente críticas de sorte a
fazer de sua conservação não apenas o cumprimento da lei, como manda o Código
Florestal, mas principalmente garantir a sustentabilidade hidrológica do manejo
florestal. Como se pode perceber, esta necessidade não se restringe apenas às
plantações de eucalipto, mas de qualquer intervenção na paisagem que vise à
produção, seja ela de eucalipto, soja, laranja ou pasto.
E
a receita é simples: na paisagem há espaços para a produção, mas há também
espaços de nítida vocação de conservação dos serviços ambientais. Querer brigar
com o Código Florestal por causa disso significa dar um tiro no próprio pé.
Eng. Agr. Walter de Paula Lima
Docente
Aposentado Permissionário
USP/ESALQ
Departamento
de Ciências Florestais
(matéria veiculada na revista Citricultura Atual, fev/2010
É
MUITO DIFICIL ENSINAR QUEM NÃO QUER APRENDER
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